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A atriz francesa Brigitte Bardot morreu neste domingo (28), aos 91 anos. A informação foi confirmada pela Fundação Brigitte Bardot, instituição dedicada à defesa do bem-estar animal. A causa da morte não foi divulgada.

Bardot havia sido internada em outubro e novembro deste ano, em Toulon, no sul da França, para a realização de procedimentos médicos. Na ocasião, a atriz tranquilizou os fãs ao afirmar que se recuperava bem e que seu estado de saúde não inspirava maiores preocupações.

História no cinema

Ícone do cinema europeu, Brigitte Bardot tornou-se mundialmente conhecida nas décadas de 1950 e 1960 por personagens marcados pelo espírito livre, forte magnetismo sexual e ruptura com padrões morais da época. Entre seus filmes mais emblemáticos estão “…E Deus Criou a Mulher” (1956), de Roger Vadim, que a projetou internacionalmente, “O Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard, e “Viva Maria!” (1965), ao lado de Jeanne Moreau. Paralelamente à carreira no cinema, Bardot também alcançou sucesso como cantora, lançando diversos discos nos anos 1960.

Conhecida na França pelas iniciais “BB”, a atriz dividiu opiniões ao longo da carreira. Ao mesmo tempo em que conquistava o público, escandalizava setores conservadores ao exibir uma sexualidade considerada ousada para o período. Nos Estados Unidos, tornou-se um fenômeno de bilheteria e ajudou a popularizar o cinema estrangeiro em um contexto marcado pela forte censura em Hollywood.

Apesar de raramente receber elogios da crítica e de minimizar suas próprias habilidades como atriz, Bardot manteve uma presença carismática que a consolidou como uma das primeiras grandes celebridades modernas. Seu estilo de vida, seus relacionamentos amorosos e sua postura independente a colocaram como símbolo de uma era pré-feminista, influenciando gerações de artistas e modelos. Jane Fonda, Julie Christie, Kate Moss e Claudia Schiffer estão entre os nomes que adotaram elementos de sua estética e imagem.

No auge da fama, Bardot transitou entre comédias leves e eróticas, como “Une Parisienne” (1957) e “Babette Vai à Guerra” (1959), e papéis dramáticos, com destaque para “La Vérité” (1960), no qual interpretou uma jovem julgada por assassinato após a morte acidental do amante, atuação que lhe rendeu reconhecimento internacional.

Aposentadoria

Em 1973, aos 39 anos, Brigitte Bardot aposentou-se definitivamente do cinema e passou a viver em Saint-Tropez, na Riviera Francesa. Desde então, dedicou-se integralmente à defesa dos direitos dos animais, utilizando sua notoriedade para denunciar maus-tratos e arrecadar recursos para a causa. Em 1987, fundou a Fundação Brigitte Bardot, que se tornaria uma das mais atuantes da França na área.

Ao longo da vida, Bardot também enfrentou episódios pessoais difíceis, como a tentativa de suicídio em 1960, amplamente noticiada à época. Ainda assim, manteve-se como uma figura central da cultura do século XX, deixando um legado que ultrapassa o cinema e a música, marcado por sua influência estética, comportamento transgressor e engajamento ativista.

Com sua morte, o cinema francês e a cultura pop mundial perdem uma de suas figuras mais emblemáticas.

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